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sábado, 8 de junho de 2013

Sessão lotada para celebrar o Dia de África na Câmara Municipal de Camaçari.

Companhia de Danças Folclóricas de Camaçari (Alaketu) embelezando o Dia de África na Câmara Municipal de Camaçari Amarelo, preto, vermelho e verde. Povo de santo, parlamentares, imprensa e simpatizantes com as questões ligadas a cultura de matriz africana lotaram a Câmara Municipal de Camaçari, que se vestiu com cores do continente-berço do mundo, na última sexta-feira, para celebrar a data municipal comemorativa ao Dia de África. “Na África não só tem miséria, doenças e subdesenvolvimento. Tem e sempre teve reis, rainhas, cientistas e médicos. Só é possível compreendermos a nossa realidade, compreendendo a realidade que nos conduziu até aqui”. Esta explanação do especialista em História do Brasil e da África, Eduardo de Oliveira e da licenciada em Letras, Fabíola Matos, aos quais ofereceu atenção especial, o Camaçari Fatos e Fotos-, deu a tônica da sessão especial solicitada e presidida pelo vereador Marcelino (PT), que ressaltou a importância da criação do calendário do movimento negro na cidade. Antes das palestras houve apresentação do grupo de samba de roda “Espermacete”, que de acordo com a fundadora do grupo, Nildes Bonfim, “o nome do grupo faz referência a um tipo de especiaria, que serve para confeccionar vernizes e cosméticos, encontrado em um dos navios que naufragou em terras brasileiras, no período da escravidão”, esclarece Nilda. O ponto alto da sessão foi quando o professor Eduardo Oliveira convidou o público para uma viagem histórica ao Egito antigo, e durante o passeio, exibiu uma imagem do faraó Ramsés II e fez uma análise das características faciais daquele que foi o terceiro faraó da XIX dinastia egípcia, Reinando entre aproximadamente 1279 a.C. e 1213 a.C. “Está vendo os lábios do faraó Ramsés II? “São lábios de negro. Ramsés é um dos expressivos referenciais negros que não são apresentados da forma adequada na bibliografia escolar aos estudantes, assim como a participação dos negros nas ciências, como na física e na medicina, não têm destaque em sala de aula”, explicou Oliveira, destacando a importância do estudo transversal da história da áfrica (como sugere a lei 10.639¹), dentro de todas as disciplinas do ensino básico, para aumento da autoestima da comunidade infanto-juvenil brasileira, oriundas, principalmente, da rede de ensino pública. Em entrevista cedida ao Camaçari Fatos e Fotos (CFF), na mesma linha de pensamento de Eduardo, o também professor e vereador pelo PSB, Silvio Humberto - presidente da comissão de Educação da Câmara Municipal de Salvador-, fez questão de valorizar a iniciativa da sessão em Camaçari. “Apenas o fato de instituir uma data para celebração do Dia de África já é de extrema importância. Para, além disso, é necessário utilizar este dia para refletir sobre temas como a lei 10.639¹ e intolerância religiosa, incluindo-os na agenda política da cidade”, declarou Silvio Humberto, um dos fundadores da organização Steve Biko, a qual desenvolve há mais de 20 anos, um pré-vestibular social que já inseriu mais de dois mil jovens negros, oriundos de escola pública, em universidades brasileiras, com maior enfoque às estaduais e federais. Também dialogando transversalmente sobre a contribuição dos negros para com a sociedade brasileira, a palestrante Fabíola Matos, fez uma breve exposição dos resultados da sua pesquisa de monografia, que tratou da influência do Kimbundu – língua africana de origem Bantu- na língua portuguesa, utilizando como objeto de pesquisa um terreiro de Candomblé de Jauá, município onde reside. “Há uma aproximação muito grande fonética, gramatical e semanticamente entre as duas línguas. Posso citar a semelhança na escrita do termo ‘candomblé’, que em Kibundu é escrito ‘Kandomblé’ e tem a mesma pronúncia em português. Gramaticalmente, posso destacar a utilização no Kimbundu da letra M, antes das letras P e B, assim como no português”, explicou a licenciada em Letras, Fabíola Matos, que durante a sua explanação revelou uma informação que surpreendeu a muitos dos presentes. “Eu sou evangélica e quando tive de escolher um tema para pesquisar e me debruçar, por livre e espontânea vontade, escolhi o Candomblé. Eu sou negra e considero de extrema importância que conheçamos nossas matrizes e ancestralidade, independente de nossa orientação religiosa”, exclamou Fabíola, declarando que no início da pesquisa tinha grande resistência à religião de matriz africana, pois nunca tinha conhecido, e logo após o estudo, declara-se uma pesquisadora apaixonada pelo Candomblé. Após as palestras, quem brilhou na sessão foi a Companhia de Danças Folclóricas de Camaçari (Alaketu), com uma performance que emocionou o público, montada por mais de 15 artistas, entre dançarinos e músicos, conduzidos pela voz marcante de Anderson Alaketu. Danças e toques característicos dos cultos de Candomblé preencheram os quatros cantos da casa que naquela tarde foi um real reduto de matriz africana e/ou afro-brasileira. Além de Marcelino, dentre os parlamentares, fizeram uso da palavra, a vereadora Patrícia (PT) e os vereadores, Otaviano Maia (PT), Elinaldo (DEM), Junior Borges (DEM), Jackson (PV), Gilvan (PT) e Sessé Abreu (PRTB). Marcaram presença na sessão, também proferindo, o secretário de Inclusão Social de Camaçari, Fabio Pereira, o deputado estadual Bira Côroa, e o dirigente da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Everaldo Vieira. “Não adianta fazermos uma sessão bonita como essa e não incorporamos esse respeito à cultura negra. Temos que ensinar os nossos filhos a terem orgulho de serem negros, porque é duro ser discriminado, é duro ter competência para realizar atividades e na hora da escolha a cor falar mais alto”, desabafou o vereador Marcelino.Fonte:Camaçari fatos e fotos.